segunda-feira, 12 de setembro de 2011

SEM TEMPO PARA O BLOG

Amigos,
é com descontentamento que venho a falar que estou sem tempo para o blog...Tirando o fato de estar sem internet também...
Mas o blog não vai "acabar"!
Agora as postagens vão ficar por conta do Pedro Szigethy.
Acredito que ele fará um trabalho tão bom quanto o meu.

Fiquem na paz!

domingo, 15 de maio de 2011

Lendas do Brasil: Pé de Garrafa

O equilíbrio espiritual está em um só ponto e não em vários. Essa é a lição que nos passa o Pé-de-Garrafa. Além disso, mostra que todos nós temos uma faceta "saltadora", que nos torna eternos peregrinos pela vida.

O Pé-de-Garrafa é um ente misterioso, um ser feérico que vive nas matas do centro e meio-norte do país. Raramente é visto, mas sempre se ouvem seus gritos estridentes, ora amedrontadores, ora familiares, capazes de confundir os caçadores, que acreditam ouvir os gritos de um companheiro em apuros. Em algumas ocasiões o pobre caçador enlouquece com os gritos arrepiantes.

Ouve-se muito falar dele no Paraná, em Goiás, no Piauí e no Tocantins, vivendo nas matas e capoeiras. Ele tem muitos outros nomes, como Cão-Coxo, Capenga, Cambeta e Pé de Quenga. Em Goiás, dizem que ele é negro e com o umbigo branco. Tem um chifre só na cabeça, um só olho, uma única mão com garras e um pé só, redondo.

CARACTERÍSTICAS:

Muitas pessoas que já o viram, nos dão outras características:

1. Ele é uma criatura semelhante à um homem, que pode apresentar-se de pele alva ou na cor negra. Pode surgir com dois ou um braço, porém é dotado de uma só perna. Deixa um rastro que se assemelha ao fundo de uma garrafa, perfeitamente redondo.

Algumas pegadas atribuídas supostamente a esta entidade, encontradas no estado de Piauí, mostra que o Pé-de-Garrafa deve ser muito pesado, deixando marcas profundas na terra dura.

2. Ele costuma gritar alto para informar o caminho na mata, mas as pessoas não devem lhe responder, pois caso contrário, ele o seguirá.

3. Segundo alguns, ele possui um ponto vulnerável, o seu umbigo branco, que deve ser atingido para se alcançar à fuga.

Câmara Cascudo o descreve:
O Pé-de-Garrafa é um ente misterioso que vive nas matas e capoeiras. Não o vêem ou o vêem raríssimamente. Ouvem sempre seus gritos estrídulos ora amedrontadores ou tão familiares que os caçadores procura-nos, certos de tratar-se de um companheiro transviado. E quanto mais rebuscam menos o grito lhes serve de guia, pois, multiplicado em todas as direções, atordoa, desvaira e enlouquece. Os caçadores terminam perdidos ou voltam à casa depois de luta áspera para reencontrar a estrada habitual. Sabem tratar-se do Pé-de-Garrafa porque este deixa sua passagem assinalada por um rastro redondo, profundo, lembrando perfeitamente um fundo de garrafa. Supõe que o singular fantasma tenha as extremidades circulares, maciças, fixando vestígios inconfundíveis. Vale Cabral , um dos primeiros a estudar o Pé-de-Garrafa, disse-o natural do Piauí, morando nas matas como o Caapora e devia ser de estatura invulgar a deduzir-se da pegada enorme que fica na areia ou no barro mole do massapé”.

Nosso Pé-de-Garrafa é similar ao Fachan, um elfo que vive na Irlanda e nas Terras Altas do Oeste da Escócia. Sua figura também é espantosa, com uma mão que sai do meio do peito, uma perna que brota do tronco, com um olho no meio do rosto e com grandes dentes. Apesar desse aspecto tão horrível, se diz que ele possui a propriedade de absorver todas as energias negativas dos seres impregnados pela perversidade e corrupção, transformando-as em energias positivas.
Quem viu, não quer ver!
No escuro da noite sem lua.
Por entre as árvores da mata.
Um grito ecoa.
Como um gemido agonizante.
Seus passos soam tuc, tuc, tuc, como pilão socando o chão.
Dizem matutos experientes que um Pé de Garrafa quando pega uma pessoa espanca-o drasticamente...estraçalha-o.
Pequenos e horripilantes, suas pernas são unidas numa só, tomando a forma de uma garrafa.
Morenos cor de terra, cabelos desgrenhados e bocarra na cara de mau, moram sob as locas das grandes pedras.
Se alimentam de animais e ervas.
E só aparecem a noite.
Huuuuuuu!!!!

                                                                                                           Singrando Horizontes


Lendas do Brasil: Procissão das Almas

Esta Lenda relata sobre uma velha, que vivia sozinha na sua casa, e por não ter muito que fazer, nem com quem conversar, passava a maior parte do dia olhando a rua da sua janela, coisa muito comum no interior do Brasil.

Até que numa tarde quase ao anoitecer ela viu passar uma procissão, todos vestidos de roupas largas brancas (como almas) com velas nas mãos e não conseguia identificar ninguém, ela logo estranhou, pois sabia que não haveria procissão, pois ia sempre à igreja, e mesmo assim quando havia alguma procissão era comum a igreja tocar os sinos no inicio, mas nada disso foi feito.

A procissão foi passando, até que uma das pessoas que participava, parou na janela da velha e lhe entregou uma vela, falou que a velha guardasse aquela vela que no outro dia ela voltaria para pegá-la. 

Com a procissão a chegar ao fim a velha resolveu dormir, e apagou a vela e guardou-a.

Quando foi de manhã que a velha acordou, ela logo foi ver se a vela estava no local onde ela guardou, mas para sua surpresa, no local em vez da vela estava um osso de uma pessoa já adulta e de uma criança.

Lendas do Brasil: Mãe do Ouro

Havia em Rosário, a montante do rio Cuiabá, um rico senhor de escravos, de modos rudes e coração cruel. Ocupava-se na mineração de ouro, e seus escravos diariamente vinham de lhe trazer alguma quantidade do precioso metal, sem o que eram levados para o tronco e vergastados.

Tinha ele um escravo já velho a quem chamavam pai Antônio. Andava o negro num banzo que dava dó, cabisbaixo, resmungando, pois não lhe saía da bateia uma só pepita de ouro, e mais dia menos dia, lá iria ele para o castigo. Certo dia, em vez de trabalhar, deu-lhe tamanho desespero, que saiu andando à toa pelo mato. Sentou-se no chão, cobriu as mãos e começou a chorar. Chorava e chorava, sem saber o que fazer. Quando descobriu o rosto, viu diante dele, uma mulher branca muito linda, e com uma linda cabeleira cor de fogo.
E ela falou para ele:
– Por que está triste assim, pai Antônio?

E ele falou : contou-lhe a sua desventura. 
E ela:
- Não chore mais. Vá comprar-me uma fita azul, uma fita vermelha, uma fita amarela e um espelho.

- Sim, sinhazinha.

Saiu o preto do mato às carreiras, foi à loja, comprou o espelho e as fitas mais bonitas que achou, e voltou a encontrar a mulher dos cabelos de fogo. Então ela foi diante dele, parou num lugar do rio, e ali foi esmaecendo até que sumiu. A última coisa que ele viu foram os cabelos de fogo, onde ela amarrara as fitas. Uma voz disse, de lá da água:

- Não conte a ninguém o que aconteceu.

Pai Antônio correu, tomou a bateia e começou a trabalhar. Cada vez que peneirava o cascalho, encontrava muito ouro. Contente da vida, foi levar o achado ao patrão.

Em vez de se satisfazer, o malvado queria que o negro contasse onde tinha achado o ouro.

– Lá dentro do rio mesmo, sinhozinho.

– Mas em que altura?

- Não me lembro mais.

Foi amarrado no tronco e maltratado. Assim que o soltaram, correu ao mato, sentou-se no chão, no mesmo lugar onde estivera e chamou a Mãe do Ouro.

– Se a gente não leva ouro, apanha. Levei o ouro, e quase me mataram de pancada. Agora, o patrão quer que eu conte o lugar onde o ouro está.

– Pode contar – disse a mulher.

Pai Antônio indicou ao patrão o lugar. Com mais vinte e dois escravos, ele foi para lá. Cavaram e cavaram. Já tinham feito um buracão quando deram com um grande pedaço de ouro. Por mais que cavassem não lhe viam o fim. Ele se enfiava para baixo na terra, como um tronco de árvore. No segundo dia, foi a mesma coisa. Cavaram durante horas, todos os homens, e aquele ouro sem fim se afundando para baixo sempre, sem que nunca se pudesse encontrar-lhe a base. No terceiro dia, o negro Antônio foi à floresta, pois viu, entre as abertas do mato, o vulto da Mãe do Ouro, com seu cabelo reluzente, e pareceu-lhe que ela o chamava. Mal chegou junto dela, ouviu que ela dizia:

- Saia de lá amanhã, antes do meio-dia.

No terceiro dia, o patrão estava como um possesso. O escravo que parava um instante, para cuspir nas mãos, levava chicotada pelas costas.

– Vamos – gritava ele -, vamos depressa com isso. Vamos depressa.

Parecia tão maligno, tão espantoso, que os escravos curvados sentiam um medo atroz. Quando o sol ia alto, pai Antônio pediu para sair um pouco.

– Estou doente, patrão.

– Vá, mas venha já.

Pai Antônio se afastou depressa. O sol subiu no céu. Na hora em que a sombra ficou bem em volta dos pés no chão, um barulho estrondou na floresta, desabaram as paredes do buraco, o patrão e os escravos foram soterrados, e morreram.


Lendas do Brasil: Diabinho da Garrafa

Também conhecido como Famaliá, Cramulhão, Capeta da Garrafa, entre outros nomes, este ser é fruto de um pacto que as pessoas afirmam que se pode fazer com o diabo, este pacto consiste na maioria das vezes de uma troca, a pessoa pede riqueza em troca dá a alma ao diabo.

Após feito o pacto a pessoa tem que conseguir um ovo que dele nascerá um diabinho de 15cm à aproximadamente 20cm, más não se trata de um simples ovo de galinha, e sim um ovo especial,fecundado pelo próprio diabo.

CARACTERÍSTICAS: 
 Segundo muitos o Diabinho da Garrafa tem as seguintes características:
1.Nasce de um ovo(em algumas Regiões do Brasil acredita-se que ele pode nascer de uma galinha fecundada pelo diabo), noutras Regiões acreditam que ele nasce de um ovo colocado não por galinha e sim por um galo, este ovo seria do tamanho de um ovo de codorna.
2.Para conseguir tal ovo, a pessoa deve procurá-lo durante o período da quaresma , e na primeira sexta feira após conseguir o ovo, a pessoa vai até uma encruzilhada ,meia noite, com o ovo debaixo do braço esquerdo, após passar o horário retorna para casa e deita-se na cama. No fim de 40 dias aproximadamente, o ovo é chocado e nascerá o diabinho.
3. Com o diabinho , a pessoa coloca-o logo na garrafa e fecha, bem fechado, com o passar dos anos o diabinho enriquece o seu dono, e no final da vida leva a pessoa para o inferno.

Lendas do Brasil: Matinta Perêra

Post dedicado à Bruno de Melo (Bruninho)

Se é um pássaro ou uma velha ninguém sabe explicar ao certo. O que se sabe é que quando a Matinta assobia, o caboclo respeita e se aquieta. Imitam eles, dizendo que "em dada noite estavam em tal lugar quando de repente: Fiiiiiiiiiit, matinta perera!"

Em cada localidade, a Matinta é um personagem sempre atribuído a alguma senhora de idade. Se for alguém que viva sozinha, na mata, e que não costume conversar muito, melhor ainda! Essa, com certeza, cairá na boca do povo como a Matinta Perera do local.

Dizem que de noite, quando sai para cumprir seu fado, a Matinta sobrevoa a casa daqueles que zombam dela ou que a trataram mal durante o dia, assombrando os moradores da casa e assustando criações de galinhas, porcos, cavalos ou cachorros.

Dizem ainda que a Matinta gosta de mascar tabaco. E quando lhe prometem o fumo, ela sempre vai buscar no dia seguinte, sempre às primeiras horas da manhã. Por isso, há uma espécie de macete para quem quer descobrir a verdadeira identidade da Matinta Perera: quando se ouve o assobio na mata, o curioso deve gritar bem alto: "vem buscar tabaco!". No dia seguinte, bem cedinho, a primeira pessoa que bate à porta do curioso vai logo dizendo a que veio: "bom dia, seu fulano! Desculpe ser tão cedo, mas é que eu vim aqui buscar o tabaco que o senhor me prometeu noite passada!".

Assustado, o curioso deve logo providenciar um pedaço de fumo para dar à indiscreta visita. Se não der o que prometeu, a Matinta Perera volta à noite e não deixa ninguém dormir.
Outra forma de descobrir a verdadeira identidade de uma Matinta é por meio de uma simpatia onde, à meia noite, se deve enterrar uma tesoura virgem aberta com uma chave e um terço sobrepostos. Garantem os caboclos que a Matinta não consegue se afastar do local.

Há os que dizem que já tiveram a infeliz experiência de se deparar com a visagem dentro do mato. A maioria a descreve como uma mulher velha com os cabelos completamente despenteados e que tem o corpo suspenso, flutuando no ar com os braços erguidos. Ao ver uma Matinta, dizem os experientes, não se consegue mover um músculo sequer. A pessoa fica tão assustada que fica completamente imóvel! Paralisada de pavor!

Dizem ainda que quando a Matinta Perera sente que sua morte está próxima, ela sai vagando pelas redondezas gritando bem alto "Quem quer? Quem quer?". Quem cair na besteira de responder, mesmo brincando, "eu quero!", fica com a maldição de virar Matinta. E assim o fado passa de pessoa para pessoa.


  

O Diabo e a Música

Escrito por Raphael Grizotte

Quero relatar aqui um detalhe de pouca importância mas curioso o tema da música em diferentes histórias macabras.

É fácil de imaginar por que a música sendo uma forma de expressão de divulgação íntima das intenções ou de sentimentos, sirva logicamente para qualquer meio, mas não quero aqui me referir a um gênero ou estilo musical, mas sim a comodidade que apresenta a música como coadjuvante em histórias, nada de fundo musical, somente uma parte importante, nem trilha sonora mas um outro personagem inesperado que com o diabo ou o inferno que ele possa representar, nos dá uma diversidade para as sete notas. Eu não diria se tratar de uma ferramenta como muitas que o 'mal' possa usar para conseguir o que quer, e sim uma necessidade existencial da música em todas as suas esferas.

Todas as crenças das mais distintas citam o inferno como um lugar de punição, de sofrimento que se estende ao lamento eterno; não poderia deixar de imaginar um som odioso (...Como um ranger de dentes...) que sita a bíblia. Como referência, uma viagem feita por dois poetas que desbravam os mundos inferiores (Dante Alighieri ) mostrando os nove círculos do inferno, todos os sofrimentos e os sons existentes. Como já está escrito; convém deixar toda a suspeita, todo o ignóbil sentir, que aqui seja proscrito,...e ao chegar nas portas do inferno, Dante categórico diz "Mestre, que ouço agora?"

Sem dúvida não era música o que Dante ouvira independente dos ouvidos acostumados aos mais diversos dos ruídos. Um som desses nunca poderia equiparar-se ao barulho qualquer de uma 'demoníaca festa' barulhenta que nunca acaba, acho que esse detalhe é compreensivo, mas será que num lugar assim pode-se ouvir música? Há de ser loucura, mas aqueles demônios sempre ocupados tem que aturar o hobby favorito do chefe, uma música para relaxar, por que não?

Fausto que não queria ouvir os cantos de natal, cantados pelas crianças, de repente passara a se divertir com seu novo amigo muito estranho (MEFISTÓFELES) e cheio de truques que encantava por seus atos e não deixava de tocar muito bem para animar as festas onde ele poderia dançar com sua amada e vender a alma ao diabo por motivos de amor. Fausto de Goethe é pouco musical, mas em contraponto no mesmo tema de Thomas Mann descreve o 'dr Fausto' entediado em sua vida amorosa e sonórica, assim passa a compor muito mais com a oferta de negócio feita por Mefistófeles. Como quadro de Chagall, onde um violino é sempre destacado colocando em questão a música e por outras colocando em suas pinturas um bode tocando o violino ligado diretamente as tradições Russas com suas lendas de músico diabólico.

Tenho também histórias que só aumentavam a fama de Paganini (1782-1840), um grande violinista que também vendera sua alma para o diabo, ou somente tinha uma pacto com ele que lhe respondia em suas músicas com seu talento fora do comum. Segundo muitos biógrafos, Paganini sentia verdadeira obsessão para se casar e formar uma família. Só que não o pôde com a sina dos condenados a pagar sua dívida com satan. Paganini se tornou mais famoso e popular com seu jeito obscuro e com as lendas criadas por seu dom fora do comum, que ele mesmo brincava dizendo ser o aprendiz do diabo.

Ainda sobre as histórias que rondam Paganini, um do exemplos mais clássicos é a música “Concerto para violino n.º 2 em Si menor Op. 7” - “A campainha”, que simboliza o som de uma campainha respondendo as notas feitas pelo violino como se fosse o próprio diabo a tocá-la; tema muito comum em sua época como uma forma de comunicação com o outro mundo. Paganini teve sim um filho e viveu de forma diferenciada dos homens comuns da Itália do século XVIII.

Estes contos referentes ao grande músico Niccolo Paganini, que sempre disputava somente contra seu único rival, o diabo, deve ter servido de inspiração para algumas e dúvida para outras muitíssimas histórias com o diabo querendo encenar ou disputar um solo musical.

Outro que também o coloca em sua história musical, foi Igor Stravinsky em 'A História do Soldado', baseada em temas folclóricos russos onde o diabo quer aprender a tocar em troca de um livro com um soldado muito apressado que era enganado diversas vezes por ele. Quero deduzir que o diabo além de enganar as pessoas, ainda não deixa de retirar delas algo mais que a paz e a alma. Ele teima em ter esse dom da música ao seu lado, já que na história do Soldado, o pobre acaba acompanhando e tocando o violino.

Como vivemos num mundo onde carpideiras trabalham para poder animar certos velórios, não podemos deixar de imaginar o trabalho da música para seduzir o homem, ou até mesmo um gênero musical perdido! O violino funerário obra de não-ficção de um livro chamado “An incomplete history of the art of the funerary violin” (Uma história incompleta da arte do violino funerário), verdade ou não, fato é que ainda na Suécia exista a tradição folclórica de dançar num evento muito legal. As principais atuações de “Os Azeitoneiros” aconteceram no âmbito da Halsinge Hambon, uma das competições de dança mais antigas na Suécia, baseada na lenda do encantamento de jovens ao som de um violino tocado pelo Diabo, disfarçado de homem.

Na narrativa mais comum, o diabo se apresenta para mostrar seus dotes musicais em troca de riqueza de amores impossíveis ou com seu maior prêmio, o de um violino de ouro se o músico aceitar a disputa proposta pelo diabo. Ele teria um desafio grandioso que teve sua versão no desenho animado “Futurama”. E no jogo (game Guitar Hero) na música 'The Devil Went Down to Georgia'... Mostrando assim a contemporaneidade do tema. Acho que desde que Orfeu levara sua lira ao mundo inferior, as criaturas demoníacas se acalmaram um dado momento para ele poder se destacar.

"Ó divindades do mundo inferior, para o qual todos nós que vivemos teremos que vir, ouve minhas palavras, pois são verdadeiras. Não venho para espionar os segredos do Tártaro, nem para tentar experimentar minha força contra o cão de três cabeças que guarda a entrada. Venho à procura de minha esposa, a cuja mocidade o dente de uma venenosa víbora pôs fim prematuro. O Amor aqui me trouxe, o Amor, um deus todo-poderoso entre nós, que mora na Terra e, se as velhas tradições dizem a verdade, também mora aqui. Imploro-vos: une de novo os fios da vida de Eurídice!..."

Ele sem dúvidas mostrou seus dotes depois de calar repentinamente aquele inferno, introduzindo a música que acalma as 'feras'. Esta opinião era deveras comprovada. Quem sabe assim nascera o tema por Orfeu em busca de sua amada Eurídice.