quinta-feira, 24 de março de 2011

137º Aniversário de Harry Houdini

Só pra comemorar a coincidência.
Harry Houdini, um dos maiores mágicos e ilusionistas de todos os tempos, nasceu em 24 de março de 1874, na cidade de Budapeste, Hungria, com o nome de Erik Weisz. Mudou-se com os pais para os EUA aos 4 anos de idade, para a cidade de Appleton, Wisconsin, cidade esta em que Houdini alegava ter nascido em entrevistas posteriores. Chamá-lo de mágico e ilusionista é até reduzir sua habilidade. Ele estava mais para “escapista”, com uma habilidade incrível para abrir ferrolhos e algemas.


Começou na carreira de mágico aos 17 anos, sem grande sucesso. No entanto, após 1899, seus truques com algemas lhe renderam fama, fazendo com que se apresentasse nas melhores casas da época e rendendo-lhe um tour pela Europa no ano seguinte. Em 1912, começou a se apresentar se livrando da famosa “Câmara de Tortura Chinesa“. Nesta câmara, Houdini usava suas habilidades para prender a respiração por até três minutos, livrando-se de algemas mergulhado de ponta-cabeça na água.

Audacioso, chegou a quase encontrar a morte em um de seus truques, onde foi enterrado vivo sem caixão. Neste número, Houdini entrou em pânico ao cavar seu caminho de volta à superfície e desmaiou assim que colocou a mão para fora da terra, precisando ser resgatado.
Harry também atuou em outras frentes. Escreveu um livro em 1909, Handcuff Secrets(Segredos da Algema, em tradução livre), onde revelava vários de suas técnicas para se livrar de algemas; estrelou vários filmes, entre eles The Man From Beyond (O Homem do Além) e a série The Master Mystery (O Segredo Mestre); e se destacou desmascarando charlatães espiritualistas nos anos 1920, documentando suas técnicas em seu livro A Magician Among the Spirits (Um Mágico entre Espíritos).
Houdini morreu em 31 de outubro de 1926, aos 52 anos, vítima de uma peritonite, resultado de apendicite não tratada. Alguns dias antes, alegando que não sofria ferimentos quando golpeado acima da linha do estômago, um estudante, J. Gordon Whitehead, golpeou-lhe sem que tivesse tempo para se preparar. Há quem acredite que essa teria sido a causa da peritonite, embora Houdini já sofresse de apendicite desde alguns dias antes.
Houdini se manteve apresentando até o dia 24 de outubro, recusando-se a ir a um médico. Após uma febre de 40 graus e um desmaio no palco em Detroit, o mágico foi internado, falecendo sete dias depois





quarta-feira, 23 de março de 2011

A História do Circo


Pode-se dizer que as artes circenses surgiram na China, onde foram descobertas pinturas de quase 5.000 anos em que aparecem acrobatas, contorcionistas e equilibristas. A acrobacia era uma forma de treinamento para os guerreiros de quem se exigia agilidade, flexibilidade e força.

Em 108 a.C. houve uma grande festa em homenagem a visitantes estrangeiros, que foram recebidos com apresentações acrobáticas surpreendentes. A partir daí, o imperador decidiu que todos os anos seriam realizados espetáculos do gênero durante o Festival da Primeira Lua. Até hoje os aldeões praticam malabarismos com espigas de milho e brincam de saltar e equilibrar imensos vasos nos pés.

Nas pirâmides do Egito existem pinturas de malabaristas. Nos grandes desfiles militares dos faraós se exibiam animais ferozes das terras conquistadas, caracterizando os primeiros domadores.
 
Na Índia, os números de contorção e saltos fazem parte dos milenares espetáculos sagrados, junto com danças, música e canto.

O circo como conhecemos hoje só começou a tomar forma durante o Império Romano. O primeiro a se tornar famoso foi o Circus Maximus, que teria sido inaugurado no século VI a.C., com a capacidade para 150.000 pessoas. A atração principal eram as corridas de carruagens, mas, com o tempo, foram acrescentadas as lutas de gladiadores, as apresentações de animais selvagens e de pessoas com habilidades incomuns, como engolidores de fogo. Destruído por um grande incêndio, esse anfiteatro foi substituído, em 40 a.C., pelo Coliseu, cujas ruínas até hoje compõem o cartão postal número um de Roma. A Roma por sua vez, tem papel muito importante na história do circo.

Com o fim do império dos Césares e o início da era medieval, artistas populares passaram a improvisar suas apresentações em praças públicas, feiras e entradas de igreja. “Nasciam assim a família de saltimbancos, que viajavam de cidade em cidade para apresentar seus números cômicos, de pirofagia, malabarismo, dança e teatro”.

Tudo isso porém, não passa de uma pré-história das artes circenses, porque foi só na Inglaterra de século XVIII que surgiu o circo moderno, com seu picadeiro circular e a reunião das atrações que compõem o espetáculo ainda hoje. O ex-militar inglês Philip Astley da Cavalaria Britânica inaugurou, em 1768, em Londres, o Royal Amphitheatre of Arts (Anfiteatro Real das Artes), para apresentações com cavalos. Para quebrar a seriedade das apresentações, alternou números com palhaços e todo tipo de acrobata e malabarista.

No Brasil, mesmo antes do circo de Astley, já haviam os ciganos que vieram da Europa, onde eram perseguidos. Sempre houve ligação dos ciganos com o circo. Entre suas especialidades incluíam-se a domadores de ursos, o ilusionismo e as exibições com cavalos. Há relatos que eles usavam tendas e nas festas sacras, havia bagunça, bebedeira, e exibições artísticas, incluindo teatros de bonecos.

Eles viajavam de cidade em cidade, e adaptavam seus espetáculos ao gosto da população local. Números que não faziam sucesso na cidade eram tirados do programa.

O circo com suas características, em geral itinerante, existe no Brasil a partir dos fins do século XIX. Desembarcavam em um porto importante, faziam seu espetáculo, partiam para outras cidades, descendo pelo litoral até o rio da Prata, indo para Buenos Aires.

- Ilusionismo
Na Europa, a mágica demorou a ser difundida, pois a maioria da população era sem estudo, ignorante e bastante influenciada pela Igreja, que tudo avaliavam como sendo bruxaria e então apopulação acreditava que alguém que conseguia fazer uma moeda desaparecer ou então ressucitar uma ave, deveria ter pacto com o diabo.

Mesmo assim, a Inglaterra e parte da Europa Ocidental trazem registros de alguns mágicos que executavam sus truques para pequenas platéias.

No século XVI um livro fundamental para história da mágica. Reinaldo Scot, um fazendeiro que vivia no condado de Kent na Inglaterra, cansado das cruéis condenações que tudo se associavam a bruxarias e supertições, decidiu estudar a arte da magia com profissionais e escrever o livro "The Discovery of Witchcraft" (A Descoberta da Bruxaria). Este livro explica vários fundamentos da mágica, fundamentos esses usados até os dias de hoje.

Entretanto, James VI, que assumiu o trono inglês, ordenou que todos os exemplares deste livro fossem queimados, pois considerou se tratar de uma obra profana. Mas para o alívio dos estudantes de mágica, alguns exemplares sobreviveram e versões originais são encontradas hoje.

No século XVII a maioria dos mágicos eram camelôs que através de seus números, vendiam objetos.

Na feira de Saint German em Paris, surgem os primeiros mágicos teatrais.

Na época da Revolução, podemos dizer que aparecem os primeiros tratados sobre magia. O primeiro foi em 1963 escrito por Ozanam da França. Nesta época também são inaugurados seis teatros para mágicos.

O ilusionismo moderno deve grande parte das suas origens a Jean Eugéne Robert-Houdin, relojoeiro, que abriu um teatro de magia em Paris na década de 1840.

Um dos mais famosos praticantes desta arte foi Houdini, o "Rei das Fugas", que morreu devido a um ataque súbito de um boxeador, incrédulo acerca da resistência física do mágico, que afirmava ser capaz de levar um soco forte no estômago e não sentiria dor ou sofreria sequer consequências. O rapaz o socou antes que Harry Houdini estivesse preparado, ocasionando um problema interno que veio a causar a morte de Houdini dias depois, na noite de 31 de Outubro. 

terça-feira, 1 de março de 2011

Marte (Mês de Março)


Nome latino de Ares, deus da guerra.
            Uma das doze divindades do Olimpo. Filho de Júpiter e Juno. De caráter brutal, amante da luta e semeador de desentendimentos entre os deuses e os mortais, Marte era desprezado pelos próprios olímpicos.
            Originado da Trácia, cujo povo era considerado pelos gregos como bárbaro, rude e inculto, jamais foi bem aceito pela sociedade helênica. Em suas batalhas, os gregos preferiam invocar Minerva, deusa inspiradora de atos heróicos, executados com inteligência e astúcia. Enquanto as outras divindades participavam das lutas, protegendo um lado ou outro e salvaguardando a vida de seus heróis favoritos, Marte golpeava ao acaso, personificava a carnificina, o assassinato sem sentido, a violência gratuita. Revestido de couraça e capacete e armado de escudo, lança e espada, acompanhava-se de Deimos (o Medo) e Fobos (o Terror), seus filhos.
            Na guerra de Tróia, lutou ao lado de Heitor. Defrontando-se com Minerva, que defendia o campo inimigo, insultou-a e arremessou sua espada contra a égide da deusa. Esta afastou-se, apanhou uma pedra e lançou-a contra Marte, atingindo-o no pescoço. O deus caiu e suas armas espalharam-se no campo de batalha.
            Em oposição a sociedade grega que rejeitou Marte, os romanos tornaram-no a mais importante de suas divindades. Consideram-no pai de Rômulo e Remo. Primitivamente, cultuavam-no como o deus das tempestades. Invocavam-no para impedir que seus efeitos maléficos – chuvas fortes, granizo, neve – destruíssem as plantações. Marte era, pois, uma divindade essencialmente agrícola. Mais tarde provavelmente identificando a idéia de força instintiva, contida na tempestade, com a violência das batalhas, os romanos transformaram-no num deus guerreiro. Essa evolução coincide com a própria evolução da história romana. Assim como a divindade passou de agrícola a guerreira, o cidadão de Roma passou de camponês a soldado. Os romanos fizeram de Marte o protetor de suas lutas e conquistas.
            Marte não teve muito sucesso em seus amores. Perseguia deusas, ninfas e mortais, e, quando estas o rejeitavam, violentava-as brutalmente. De modo geral, os filhos de Marte eram homem violentos, que atacavam os viajantes e praticavam atos de crueldade.
            Os animais consagrados a Marte eram o cão e o abutre. Inicialmente ele era representado como um guerreiro barbudo, de capacete de alto penacho e revestido de pesada armadura. Mais tarde, figuram-no sob a forma de um jovem seminu, cujos únicos atributos de guerra eram o capacete e a lança.


Dicionário de Mitologia Greco-Romana
Editora Abril Cultural
-1973-

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Kaliburn - Dharma

Demo-clip da banda carioca Kaliburn, apresentando a faixa Dharma, de sua primeira demo intitulada "Rehearsals Of Life", gravada no Estúdio Deldorado em Maricá-RJ.


Dharma - letra

(Allan Anjos)
Third prophecy
Hiden in the past
Soul never dies
Reborn at last

Don't be afraid
Now open you eyes
The book was changed
All lives a lie

Chorus:
See your life like a link connected on the ancient chain
The journey is make of your choices, to learn by love or pain
BORN, DIE, RETURN
Life is only a turn
FLESH, MIND AND SOUL
Eternal life to grow
BORN, DIE, RETURN
It’s the law and the learning
FLESH, MIND AND SOUL
It’s the way to know

Set free your mind
Hope is in you
Fight for the right
Search for the truth

Change has begun
Revolution is now
Revelated truth
It's the empire fall

- Chorus -

Dharma - tradução
(Lailla e Larnaud Nascimento)
Terceira profecia
Escondida no passado
A alma nunca morre
Renasce no final 

Não tenha medo 
Agora abra seus olhos 
O livro foi alterado  
Todos vivem numa mentira 

Refrão:
Veja a sua vida como um elo conectado a uma corrente ancestral
A jornada é feita de escolhas, de aprender pelo amor ou pela dor
NASÇA, MORRA, RETORNE!
A vida é apenas uma volta
CARNE, MENTE E ALMA!
Vida eterna para crescer
NASÇA, MORRA, RETORNE!
Essa é a lei e o aprendizado
CARNE, MENTE E ALMA!
É a maneira de saber

Liberte sua mente
A esperança está em você
Lute pelo correto
Procure pela verdade

A mudança já começou
A revolução é agora
A verdade foi revelada
É a queda do império

- Refrão –



Nota de Anamathy:
Peço desculpas pelo post estar meio "bagunçado"...
Como já é de praxe, as configurações do blogspot me pegaram...

Februa (Mês de Fevereiro)


Februa ou Februatio era um festival romano de purificação depois associado à Lupercália.

A Lupercalia, Lupercália, Lupercais ou Festas Lupercais era um festival pastoril romano, celebrado a XV Kalendas Martias, que corresponde hoje ao dia 15 de Fevereiro.

O nome da festa supõe-se derivar de lupus (lobo). Dizia-se ter sido instituída por Evandro o árcade, mas é possível que existisse desde o período pré-romano. Realizavam-na na na gruta de Lupercal, no monte Palatino (uma das Sete Colinas de Roma). Teria sido onde, segundo a tradição, - também chamado Fauno Luperco (o que protege do lobo), em cuja honra se fazia a festa - tomou a forma duma loba e amamentou os meos mulo e Remo.

A festa da Lupercália simbolizava a purificação que devia acontecer em Roma ao fim do ano (que começava em Março). Anualmente, um corpo especial de sacerdotes, os luperci sodales (amigos do lobo) eram eleitos entre os patrícios mais ilustres da cidade.
Na data prevista, então, os lupercos daquele ano encontravam-se na gruta Lupercal para sacrificarem dois bodes e um cão e serem ungidos na testa com o sangue, limpado da lâmina do sacrifício com um lã embebida em leite. Vestiam-se então do couro dos animais, simbolizando Fauno Luperco, do qual arrancavam tiras, chamadas februa, com as quais saíam ao redor da colina a chicotear o povo, em especial as mulheres inférteis, que se reuniam para assistir o festival.
 A Lupercália era uma festa de fim de ano. Acreditava-se que essa cerimônia servia para espantar os maus espíritos e para purificar a cidade, assim como para liberar a saúde e a fertilidade às pessoas açoitadas pelos lupercos.
A associação com a fertilidade viria de as chicotadas deixarem a carne em cor púrpura. Essa cor representava as prostitutas sacerdotais da Ara Máxima, também chamadas lobas.
Tratava-se também dum rito de passagem, simbolizando a morte e a ressurreição, celebrando assim a vida.
Caracterizadas pela licenciosidade, tinham características adotadas mais tarde nas festas de Carnaval.
 A festa era tão antiga como a própria história de Roma (sabe-se que era uma tradição forte já no tempo de Júlio César), e tornou-se mais popular nos tempos da República romana, quando a gruta Lupercal foi reformada por Augusto, e perdurou até aos tempos do Império e da Queda. Esta mesma celebração foi adotada por Justiniano I no Império do Oriente em 542, como remédio para uma peste que já havia assolado o Egito e Constantinopla e ameaçava o resto do império.
Em 494, o Papa Gelásio I proibiu e condenou oficialmente essa festa pagã. Numa tentativa de cristianizá-la, substituiu-a pelo 14 de Fevereiro, dia dedicado a São Valentim (hoje, conhecido como o dia dos namorados).

Fonte:


sábado, 29 de janeiro de 2011

Perseu e o Monstro Marinho

Monstro Marinho
Seguindo o seu vôo pelo mundo, Perseu chegou à região dos etíopes, onde Cefeu era o rei. Cassiopéia era a rainha, orgulhosa de sua beleza; ousara comparar-se às ninfas do mar, que, de tão indignadas, enviaram um monstro marinho prodigioso para destroçar a costa. A fim de aplacar a ira das divindades, Cefeu foi orientado pelo oráculo a expor sua filha Andrômeda para ser devorada pelo monstro. Quando olhou para baixo das alturas em que voava, Perseu observou a virgem acorrentada ao rochedo, aguardando a aproximação da serpente. Ela estava tão pálida e imóvel, que se não fossem as lágrimas a correr pelo seu rosto e seu cabelo balançando com o vento, pensaria se tratar de uma estátua de mármore. Em face do que viu, Perseu ficou tão assombrado que quase esqueceu-se de bater as asas(pois estava equipado com os sapatos alados de Mercúrio). Adejando sobre Andrômeda, falou: "Ò virgem, que não mereces essas correntes, mas antes aquelas que unem os amantes, dize-me: qual é o teu nome, como se chama a tua cidade, e por que estás presa desse modo?" A princípio a vergonha não a deixou falar,e, se pudesse, teria escondido seu rosto com as mãos; mas quando Perseu repetiu suas perguntas, temendo que ele a julgasse culpada de algum crime, contou-lhe seu nome e o nome de sua cidade, e falou-lhe do orgulho que a mãe sentia de sua própria beleza. Enquanto ainda falava,um som estranho foi ouvido sobre as águas,eo monstro marinho apareceu, com sua cabeça erguida acima da superfície, cortando as ondas com seu amplo tórax. A virgem estremeceu, e o pai e a mãe, que acabavam de chegar ao local, mostraram-se desesperados, especialmente a mãe. Eles ficaram ao lado da filha, mas nada podiam fazer para protegê-la, além de chorar e abraçar a vítima. Então Perseu exclamou: "Deixemos as lágrimas para depois. Este momento é o único que temos para resgatá-la. Minha posiçãocomo filho de Júpiter e o renome que granjeei ao vencer a górgona faz de mim um pretendente aceitável. Tentarei, entretanto, merecê-la pelos serviços rendidos, se os deuses me ajudarem. Se tua filha for resgatada pelo meu valor, quero que ela seja a minha recompensa". Os pais consentiram (como poderiam não o fazer?), e ainda prometeram dar-lhe um dote real junto com a moça.

Perseu liberta Andrômeda, Vasari
O monstro estava à distância de uma pedra lançada por um hábil atirador, quando, num súbito movimento, o jovem ergueu-se no ar. Com uma águia, que de seu vôo nas alturas avista a serpente se aquecendo ao sol, mergulha sobre ela e prende-a pelo pescoço,evitando que se vire para usar as presas, assim o jovem se atirou sobre o dorso do monstro e atravessou-lhe o ombro com sua espada. Irritado pelo ferimento, o monstro ergueu-se no ar e em seguida mergulhou nas profundezas; então, como o javali cercado por uma matilha de cães que não cessam de latir, virou-se rapidamente de um lado para o outro , enquanto o jovem escapou de seus ataques usando a propulsão de suas asas. Sempre que Perseu encontrava uma brecha entre as escamas do mostro, fazia-lhe um ferimento, perfurandoos seus flancos e a região próxima à cauda.O animal soltava pelas narinas, água misturada com sangue,. Por isso, as asas do herói já estavam molhadas e ele já não podia confiar na sua eficiência. Aterrissando sobre um rochedo que se erguia acima das ondas, e segurando um fragmento de rocha, conseguiu acertar o mostro com um golpe fatal. Os gritos do povo que havia se reunido na praia ecoaram pelas colinas. Os pais, arrebatados de alegria, abraçaramo futuro genro, chamando-o de seu libertador e salvador de sua casa, e a virgem, que foi tanto a causa como a recompensa do conflito, desceu do rochedo.

Cassiopéia, cuja beleza já foi por nós destacada, era etíope, e portanto negra, pelo menos é o que Milton parece sugerir em seu "Penseroso", no qual ele fala da melancolia:
"deusa, sábia e sagrada,
Cujo o rosto santificado é brilhante demais
Para ser percebido pela vista humana,
E, portanto, apara a nossa visão mais frágil,
Coberta de negro, a cor da Sabedoria serena.
Negra, mas de tal modo estimada
Como conviria à irmã do príncipe Mêmnon,
Ou àquela estrelada rainha etíope que tentou 
Comparar sua beleza com as das ninfas do mar,
Ofendendo-as assim."

Cassiopéia é chamada de "estelar rainha etíope" porque após a sua morte foi colocada entre as estrelas, formando a constelação que leva seu nome. Embora tenha recebido essa honra, as ninfas do mar, suas antigas inimigas, conseguiram que ela fosse situada naquela porção do céu que fica sobre os pólos, onde, todas as noites, tem de ficar cabisbaixa, recebendo uma lição de humildade.

O Livro da Mitologia - História de Deuses e Heróis
Thomas Bulfinch
Edição de 2006

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sobre Centauros, Grifos e Salamandras

:. Centauros

A origem dos Centauros está ligada ao mito de Ixião, habitante da Tessália, que matara a sangue frio o próprio sogro. Perseguido pelos habitantes do lugar, Ixião fugiu, percorrendo vários lugares da Grécia. Todas às vezes que era descoberto, era obrigado a fugir do lugar onde se encontrava, sem jamais ter paz. Diante da infelicidade de Ixião, Zeus (Júpiter), o senhor dos deuses, apiedou-se dele, convidando-o para viver no Olimpo.

No Olimpo Ixião não se mostrou agradecido, pelo contrário, pérfido e traiçoeiro, apaixonou-se por Hera (Juno), a rainha dos deuses, esposa de Zeus. Não contente, tentou seduzir a fiel esposa do senhor do Olimpo, confessando-lhe o seu amor e desejo. Indignada, Hera contou ao marido a ousadia de Ixião.

Zeus não castigou o seu hóspede ingrato tão logo soube das suas intenções, pelo contrário, como muita calma, preparou-lhe um grande ardil. Num pedaço de nuvem, o senhor dos deuses confeccionou uma réplica de Hera. Deu-lhe movimentos e sopros de vida. Assim, ao ver a nuvem em forma da rainha do Olimpo sorrir-lhe insinuante, Ixião não pensou duas vezes, tomou-a nos braços e a possuiu arrebatadamente, com sôfrega paixão.

Do amor traiçoeiro e infame de Ixião com uma mulher feita de nuvem, nasceu o monstro Centauro, metade homem, metade cavalo. Após o ardil, Ixião foi atirado ao Tártaro, onde ouviu, por muitos séculos, os deuses rindo da sua infâmia amorosa. Do alto do Olimpo Néfele, a mulher de nuvem que tinha o rosto de Hera, desfez-se em pranto.

Centauro foi deixado sozinho no monte Pélion. Trazia em si o irracional e o racional, a razão e a consciência mescladas com a sua natureza bestial. Centauro trazia na sua cabeça de homem o pensamento, a inteligência humana, e no seu corpo animal o desejo, o impulso naturalmente eqüino. No monte Pélion uniu-se a uma égua, gerando uma criança, dando início aos Centauros.

Os antigos gostavam demais dos cavalos para julgar que a mistura de sua natureza com a do homem pudesse resultar em degradação, por isso o centauro é o único dos monstros mitológicos da Antiguidade que possui boas qualidades. Os centauros podiam andar em companhia dos homens, e no casamento de Pirítoo e Hipodamia estavam entre os convidados. Durante a festa, Eurítion, um centauro, estando embriagado com vinho, tentou violentar a noiva; os outros centauros seguiram o seu exemplo, e armou-se um medonho conflito em que diversos deles foram mortos. Essa foi a famosa Batalha dos Lápitas e Centauros, assunto de grande interesse dos escultores e poetas da Antiguidade.

Mas nem todos os centauros eram como os rudes convidados de Pirítoo. Quíron foi ensinado por Apolo e Diana, e alcançou renome por sua grande habilidade na caça, medicina, música, além da arte da profecia. Os mais distintos heróis da história da Grécia foram ses discípulos, entre els o menino Esculápio, que foi entregue aos seus cuidados por Apolo, seu pai. Quando o sábio voltou para casa carregando o menino, sua filha, Ocírroe, saiu para encontrá-lo, e assim que avistou a criança põs-se a falar do futuro dela, profetizando ( pois era uma profetisa) a glória que alcançaria. Quando Esculápio cresceu, tornou-se um médico afamado, e, numa certa ocasião, foi capaz até mesmo de trazer um morto de volta à vida. Plutão ressentiu-se com esse feito, e Júpiter, obedecendo a seu pedido, atingiu o médico atrevido com um raio, matando-o, mas depois de sua morte recebeu-o entre os deus.

Quíron foi o mais sábio e o mais justo de todos os centauros, e, quando morreu, Júpiter colocou-o no céu entre as estrelas, na forma da constelação de Sagitário.

:.Grifos
A figura do Grifo surgiu no Oriente Médio onde babilônios, assírios e persas representavam a criatura em pinturas e esculturas.
Como diversos animais fantásticos, incluindo centauros, sereias, fênix, entre outros, o Grifo simboliza um signo zodiacal, devido ao seu senso de justiça apurado, o fato de valorizar as artes e a inteligência, e o fato de dominar os céus e o ar, simboliza o signo de Libra, a chamada Balança.

O Grifo é um monstro com corpo de um leão, a cabeça e as asas de uma águia, e o dorso recoberto de penas. Tal como pássaros constrói seu ninho, mas, em vez de um ovo, punha ali uma ágata. Ele tem garras e presas tão grandes que o povo da Índia costumava usá-las para fazer copos. Construía seu ninho com o ouro que encontrava nas montanhas, razão pela qual esses ninhos eram muito visados pelos caçadores, de modo que tinha de se manter muito vigilante para proteger seus filhotes. Seu forte instinto dotava-o da capacidade de descobrir o exato local em que os tesouros estavam enterrados, e tudo faziam para manter saqueadores à distância. Os arispianos, entre os quais os Grifos floresceram, eram um povo da Cítia que tinha um único olho.

Milton usa os Grifos para uma comparação, no livro II de "Paraíso Perdido":
"Tal como um grifo através das matas
Em seu vôo, sobre os montes e as campinas,
Persegue o arispiano que, astucioso,
Roubou-lhe, apesar da vigilância,
O ouro que guardava."

:.Salamandras
São anfíbios reais aos quais a lenda e o folclore atribuíram o poder de viver no fogo e de extingui-lo. O mesmo nome foi dado aos elementais do fogo pelo médico e alquimista Paracelso em seu "Tratado sobre os Espíritos Elementais", de 1566.
O texto seguinte foi extraído de "A Vida de Benvenuto Cellini", artista italiano do século XVI, escrito por ele próprio "Quando eu tinha cerca de cinco anos de idade, meu pai, estando num pequeno cômodo e que as roupas eram lavadas e onde havia uma boa fogueira feita com lenha de carvalho a arder,olhou dentro das chamas e viu um pequeno animal que se parecia com uma lagartixa e que parecia ter a capacidade de permanecer na parte mais quente das brasas. Percebendo o que era, meu pai chamou-me e à minha irmã e, após nos mostrar a criatura, deu-me um tapa na têmpora. Pus-me a chorar, enquanto ele, afagando-me, afirmou: 'Meu filho querido não te bati em virtude de algo errado que acaso tenhas feito, mas para que te lembres de que viste no fogo uma pequena salamandra'. Após falar desse modo, abraçou-me e deu-me dinheiro."

Não seria sensato pôr em dúvida a história de Cellini, uma vez que ele mesmo foi testemunha ocular e auricular. Além disso, temos também a autoridade de diversos filósofos e eruditos, à frente dos quais Aristóteles e Plínio, que atestam esse poder da salamandra. De acordo com eles, a salamandra não apenas resistia ao fogo, mas era capaz de apagá-lo, e assim que se deparava com as chamas, preparava-se para atacá-las como a um inimigo que estava certa de superar.

Não devemos nos espantar com o fato de que a pele de um animal seja capaz de resistir à ação do fogo. Concluímos que o tecido de que é feita a pele da salamndra ( pois esse animal existe realmente, sendo um tipo de lagarto) não era combustível, e por isso muito útil para embrulhar certos artigos valiosos demais para serem envolvidos em algum material de qualidade inferior. Embora se acreditasse que esses tecidos à prova de fogo eram feitos da pele da salamandra, alguns especialistas descobriram que ele continha fios de amianto, um minério composto de fibras tão finas que podem ser usadas para tecelagem.

O fundamento dessas fábulas parece derivar da capacidade que a salamandra tem de expelir pelos poros uma determinada substância leitosa que produz em grande quantidade quando se irrita, protegendo-a de perigos externos, como a ação do fogo, por exemplo. Sendo um animal hibernante, refugia-se em cavidades de árvores, em estado de torpor, até a chegada da primavera. É possível, portanto, que seja levada junto com a lenha ao fogo, onde desperta a tempo de exercitar as suas faculdades defensivas. O líquido viscoso que expele mostra-se versátil, e todos que dizem tê-la visto nessas circunstâncias admitem que elas correm das chamas o mais depressa possível; Em um caso narrado de uma fuga lenta, a testemunha diz que os pés e outras partes do corpo da salamandra ficaram muito queimados. Dr. Young, em "Pensamentos Noturnos", com mais delicadeza que bom gosto, compara a indiferença de um cético que comtempla um céu estrelado à insensibilidade que uma slamandra demonstra para com o fogo:
"Um astrônomo não devoto é um louco,
(...)
Oh, que gênio é esse que nos dá os céus!
E o coração de salamandra de Lourenço
Ficaria frio em meio a esss chamas sagradas?"

O Livro da Mitologia - História de Deuses e Heróis
Thomas Bulfinch
Edição de 2006

Fontes: