terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Kaliburn - Dharma

Demo-clip da banda carioca Kaliburn, apresentando a faixa Dharma, de sua primeira demo intitulada "Rehearsals Of Life", gravada no Estúdio Deldorado em Maricá-RJ.


Dharma - letra

(Allan Anjos)
Third prophecy
Hiden in the past
Soul never dies
Reborn at last

Don't be afraid
Now open you eyes
The book was changed
All lives a lie

Chorus:
See your life like a link connected on the ancient chain
The journey is make of your choices, to learn by love or pain
BORN, DIE, RETURN
Life is only a turn
FLESH, MIND AND SOUL
Eternal life to grow
BORN, DIE, RETURN
It’s the law and the learning
FLESH, MIND AND SOUL
It’s the way to know

Set free your mind
Hope is in you
Fight for the right
Search for the truth

Change has begun
Revolution is now
Revelated truth
It's the empire fall

- Chorus -

Dharma - tradução
(Lailla e Larnaud Nascimento)
Terceira profecia
Escondida no passado
A alma nunca morre
Renasce no final 

Não tenha medo 
Agora abra seus olhos 
O livro foi alterado  
Todos vivem numa mentira 

Refrão:
Veja a sua vida como um elo conectado a uma corrente ancestral
A jornada é feita de escolhas, de aprender pelo amor ou pela dor
NASÇA, MORRA, RETORNE!
A vida é apenas uma volta
CARNE, MENTE E ALMA!
Vida eterna para crescer
NASÇA, MORRA, RETORNE!
Essa é a lei e o aprendizado
CARNE, MENTE E ALMA!
É a maneira de saber

Liberte sua mente
A esperança está em você
Lute pelo correto
Procure pela verdade

A mudança já começou
A revolução é agora
A verdade foi revelada
É a queda do império

- Refrão –



Nota de Anamathy:
Peço desculpas pelo post estar meio "bagunçado"...
Como já é de praxe, as configurações do blogspot me pegaram...

Februa (Mês de Fevereiro)


Februa ou Februatio era um festival romano de purificação depois associado à Lupercália.

A Lupercalia, Lupercália, Lupercais ou Festas Lupercais era um festival pastoril romano, celebrado a XV Kalendas Martias, que corresponde hoje ao dia 15 de Fevereiro.

O nome da festa supõe-se derivar de lupus (lobo). Dizia-se ter sido instituída por Evandro o árcade, mas é possível que existisse desde o período pré-romano. Realizavam-na na na gruta de Lupercal, no monte Palatino (uma das Sete Colinas de Roma). Teria sido onde, segundo a tradição, - também chamado Fauno Luperco (o que protege do lobo), em cuja honra se fazia a festa - tomou a forma duma loba e amamentou os meos mulo e Remo.

A festa da Lupercália simbolizava a purificação que devia acontecer em Roma ao fim do ano (que começava em Março). Anualmente, um corpo especial de sacerdotes, os luperci sodales (amigos do lobo) eram eleitos entre os patrícios mais ilustres da cidade.
Na data prevista, então, os lupercos daquele ano encontravam-se na gruta Lupercal para sacrificarem dois bodes e um cão e serem ungidos na testa com o sangue, limpado da lâmina do sacrifício com um lã embebida em leite. Vestiam-se então do couro dos animais, simbolizando Fauno Luperco, do qual arrancavam tiras, chamadas februa, com as quais saíam ao redor da colina a chicotear o povo, em especial as mulheres inférteis, que se reuniam para assistir o festival.
 A Lupercália era uma festa de fim de ano. Acreditava-se que essa cerimônia servia para espantar os maus espíritos e para purificar a cidade, assim como para liberar a saúde e a fertilidade às pessoas açoitadas pelos lupercos.
A associação com a fertilidade viria de as chicotadas deixarem a carne em cor púrpura. Essa cor representava as prostitutas sacerdotais da Ara Máxima, também chamadas lobas.
Tratava-se também dum rito de passagem, simbolizando a morte e a ressurreição, celebrando assim a vida.
Caracterizadas pela licenciosidade, tinham características adotadas mais tarde nas festas de Carnaval.
 A festa era tão antiga como a própria história de Roma (sabe-se que era uma tradição forte já no tempo de Júlio César), e tornou-se mais popular nos tempos da República romana, quando a gruta Lupercal foi reformada por Augusto, e perdurou até aos tempos do Império e da Queda. Esta mesma celebração foi adotada por Justiniano I no Império do Oriente em 542, como remédio para uma peste que já havia assolado o Egito e Constantinopla e ameaçava o resto do império.
Em 494, o Papa Gelásio I proibiu e condenou oficialmente essa festa pagã. Numa tentativa de cristianizá-la, substituiu-a pelo 14 de Fevereiro, dia dedicado a São Valentim (hoje, conhecido como o dia dos namorados).

Fonte:


sábado, 29 de janeiro de 2011

Perseu e o Monstro Marinho

Monstro Marinho
Seguindo o seu vôo pelo mundo, Perseu chegou à região dos etíopes, onde Cefeu era o rei. Cassiopéia era a rainha, orgulhosa de sua beleza; ousara comparar-se às ninfas do mar, que, de tão indignadas, enviaram um monstro marinho prodigioso para destroçar a costa. A fim de aplacar a ira das divindades, Cefeu foi orientado pelo oráculo a expor sua filha Andrômeda para ser devorada pelo monstro. Quando olhou para baixo das alturas em que voava, Perseu observou a virgem acorrentada ao rochedo, aguardando a aproximação da serpente. Ela estava tão pálida e imóvel, que se não fossem as lágrimas a correr pelo seu rosto e seu cabelo balançando com o vento, pensaria se tratar de uma estátua de mármore. Em face do que viu, Perseu ficou tão assombrado que quase esqueceu-se de bater as asas(pois estava equipado com os sapatos alados de Mercúrio). Adejando sobre Andrômeda, falou: "Ò virgem, que não mereces essas correntes, mas antes aquelas que unem os amantes, dize-me: qual é o teu nome, como se chama a tua cidade, e por que estás presa desse modo?" A princípio a vergonha não a deixou falar,e, se pudesse, teria escondido seu rosto com as mãos; mas quando Perseu repetiu suas perguntas, temendo que ele a julgasse culpada de algum crime, contou-lhe seu nome e o nome de sua cidade, e falou-lhe do orgulho que a mãe sentia de sua própria beleza. Enquanto ainda falava,um som estranho foi ouvido sobre as águas,eo monstro marinho apareceu, com sua cabeça erguida acima da superfície, cortando as ondas com seu amplo tórax. A virgem estremeceu, e o pai e a mãe, que acabavam de chegar ao local, mostraram-se desesperados, especialmente a mãe. Eles ficaram ao lado da filha, mas nada podiam fazer para protegê-la, além de chorar e abraçar a vítima. Então Perseu exclamou: "Deixemos as lágrimas para depois. Este momento é o único que temos para resgatá-la. Minha posiçãocomo filho de Júpiter e o renome que granjeei ao vencer a górgona faz de mim um pretendente aceitável. Tentarei, entretanto, merecê-la pelos serviços rendidos, se os deuses me ajudarem. Se tua filha for resgatada pelo meu valor, quero que ela seja a minha recompensa". Os pais consentiram (como poderiam não o fazer?), e ainda prometeram dar-lhe um dote real junto com a moça.

Perseu liberta Andrômeda, Vasari
O monstro estava à distância de uma pedra lançada por um hábil atirador, quando, num súbito movimento, o jovem ergueu-se no ar. Com uma águia, que de seu vôo nas alturas avista a serpente se aquecendo ao sol, mergulha sobre ela e prende-a pelo pescoço,evitando que se vire para usar as presas, assim o jovem se atirou sobre o dorso do monstro e atravessou-lhe o ombro com sua espada. Irritado pelo ferimento, o monstro ergueu-se no ar e em seguida mergulhou nas profundezas; então, como o javali cercado por uma matilha de cães que não cessam de latir, virou-se rapidamente de um lado para o outro , enquanto o jovem escapou de seus ataques usando a propulsão de suas asas. Sempre que Perseu encontrava uma brecha entre as escamas do mostro, fazia-lhe um ferimento, perfurandoos seus flancos e a região próxima à cauda.O animal soltava pelas narinas, água misturada com sangue,. Por isso, as asas do herói já estavam molhadas e ele já não podia confiar na sua eficiência. Aterrissando sobre um rochedo que se erguia acima das ondas, e segurando um fragmento de rocha, conseguiu acertar o mostro com um golpe fatal. Os gritos do povo que havia se reunido na praia ecoaram pelas colinas. Os pais, arrebatados de alegria, abraçaramo futuro genro, chamando-o de seu libertador e salvador de sua casa, e a virgem, que foi tanto a causa como a recompensa do conflito, desceu do rochedo.

Cassiopéia, cuja beleza já foi por nós destacada, era etíope, e portanto negra, pelo menos é o que Milton parece sugerir em seu "Penseroso", no qual ele fala da melancolia:
"deusa, sábia e sagrada,
Cujo o rosto santificado é brilhante demais
Para ser percebido pela vista humana,
E, portanto, apara a nossa visão mais frágil,
Coberta de negro, a cor da Sabedoria serena.
Negra, mas de tal modo estimada
Como conviria à irmã do príncipe Mêmnon,
Ou àquela estrelada rainha etíope que tentou 
Comparar sua beleza com as das ninfas do mar,
Ofendendo-as assim."

Cassiopéia é chamada de "estelar rainha etíope" porque após a sua morte foi colocada entre as estrelas, formando a constelação que leva seu nome. Embora tenha recebido essa honra, as ninfas do mar, suas antigas inimigas, conseguiram que ela fosse situada naquela porção do céu que fica sobre os pólos, onde, todas as noites, tem de ficar cabisbaixa, recebendo uma lição de humildade.

O Livro da Mitologia - História de Deuses e Heróis
Thomas Bulfinch
Edição de 2006

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sobre Centauros, Grifos e Salamandras

:. Centauros

A origem dos Centauros está ligada ao mito de Ixião, habitante da Tessália, que matara a sangue frio o próprio sogro. Perseguido pelos habitantes do lugar, Ixião fugiu, percorrendo vários lugares da Grécia. Todas às vezes que era descoberto, era obrigado a fugir do lugar onde se encontrava, sem jamais ter paz. Diante da infelicidade de Ixião, Zeus (Júpiter), o senhor dos deuses, apiedou-se dele, convidando-o para viver no Olimpo.

No Olimpo Ixião não se mostrou agradecido, pelo contrário, pérfido e traiçoeiro, apaixonou-se por Hera (Juno), a rainha dos deuses, esposa de Zeus. Não contente, tentou seduzir a fiel esposa do senhor do Olimpo, confessando-lhe o seu amor e desejo. Indignada, Hera contou ao marido a ousadia de Ixião.

Zeus não castigou o seu hóspede ingrato tão logo soube das suas intenções, pelo contrário, como muita calma, preparou-lhe um grande ardil. Num pedaço de nuvem, o senhor dos deuses confeccionou uma réplica de Hera. Deu-lhe movimentos e sopros de vida. Assim, ao ver a nuvem em forma da rainha do Olimpo sorrir-lhe insinuante, Ixião não pensou duas vezes, tomou-a nos braços e a possuiu arrebatadamente, com sôfrega paixão.

Do amor traiçoeiro e infame de Ixião com uma mulher feita de nuvem, nasceu o monstro Centauro, metade homem, metade cavalo. Após o ardil, Ixião foi atirado ao Tártaro, onde ouviu, por muitos séculos, os deuses rindo da sua infâmia amorosa. Do alto do Olimpo Néfele, a mulher de nuvem que tinha o rosto de Hera, desfez-se em pranto.

Centauro foi deixado sozinho no monte Pélion. Trazia em si o irracional e o racional, a razão e a consciência mescladas com a sua natureza bestial. Centauro trazia na sua cabeça de homem o pensamento, a inteligência humana, e no seu corpo animal o desejo, o impulso naturalmente eqüino. No monte Pélion uniu-se a uma égua, gerando uma criança, dando início aos Centauros.

Os antigos gostavam demais dos cavalos para julgar que a mistura de sua natureza com a do homem pudesse resultar em degradação, por isso o centauro é o único dos monstros mitológicos da Antiguidade que possui boas qualidades. Os centauros podiam andar em companhia dos homens, e no casamento de Pirítoo e Hipodamia estavam entre os convidados. Durante a festa, Eurítion, um centauro, estando embriagado com vinho, tentou violentar a noiva; os outros centauros seguiram o seu exemplo, e armou-se um medonho conflito em que diversos deles foram mortos. Essa foi a famosa Batalha dos Lápitas e Centauros, assunto de grande interesse dos escultores e poetas da Antiguidade.

Mas nem todos os centauros eram como os rudes convidados de Pirítoo. Quíron foi ensinado por Apolo e Diana, e alcançou renome por sua grande habilidade na caça, medicina, música, além da arte da profecia. Os mais distintos heróis da história da Grécia foram ses discípulos, entre els o menino Esculápio, que foi entregue aos seus cuidados por Apolo, seu pai. Quando o sábio voltou para casa carregando o menino, sua filha, Ocírroe, saiu para encontrá-lo, e assim que avistou a criança põs-se a falar do futuro dela, profetizando ( pois era uma profetisa) a glória que alcançaria. Quando Esculápio cresceu, tornou-se um médico afamado, e, numa certa ocasião, foi capaz até mesmo de trazer um morto de volta à vida. Plutão ressentiu-se com esse feito, e Júpiter, obedecendo a seu pedido, atingiu o médico atrevido com um raio, matando-o, mas depois de sua morte recebeu-o entre os deus.

Quíron foi o mais sábio e o mais justo de todos os centauros, e, quando morreu, Júpiter colocou-o no céu entre as estrelas, na forma da constelação de Sagitário.

:.Grifos
A figura do Grifo surgiu no Oriente Médio onde babilônios, assírios e persas representavam a criatura em pinturas e esculturas.
Como diversos animais fantásticos, incluindo centauros, sereias, fênix, entre outros, o Grifo simboliza um signo zodiacal, devido ao seu senso de justiça apurado, o fato de valorizar as artes e a inteligência, e o fato de dominar os céus e o ar, simboliza o signo de Libra, a chamada Balança.

O Grifo é um monstro com corpo de um leão, a cabeça e as asas de uma águia, e o dorso recoberto de penas. Tal como pássaros constrói seu ninho, mas, em vez de um ovo, punha ali uma ágata. Ele tem garras e presas tão grandes que o povo da Índia costumava usá-las para fazer copos. Construía seu ninho com o ouro que encontrava nas montanhas, razão pela qual esses ninhos eram muito visados pelos caçadores, de modo que tinha de se manter muito vigilante para proteger seus filhotes. Seu forte instinto dotava-o da capacidade de descobrir o exato local em que os tesouros estavam enterrados, e tudo faziam para manter saqueadores à distância. Os arispianos, entre os quais os Grifos floresceram, eram um povo da Cítia que tinha um único olho.

Milton usa os Grifos para uma comparação, no livro II de "Paraíso Perdido":
"Tal como um grifo através das matas
Em seu vôo, sobre os montes e as campinas,
Persegue o arispiano que, astucioso,
Roubou-lhe, apesar da vigilância,
O ouro que guardava."

:.Salamandras
São anfíbios reais aos quais a lenda e o folclore atribuíram o poder de viver no fogo e de extingui-lo. O mesmo nome foi dado aos elementais do fogo pelo médico e alquimista Paracelso em seu "Tratado sobre os Espíritos Elementais", de 1566.
O texto seguinte foi extraído de "A Vida de Benvenuto Cellini", artista italiano do século XVI, escrito por ele próprio "Quando eu tinha cerca de cinco anos de idade, meu pai, estando num pequeno cômodo e que as roupas eram lavadas e onde havia uma boa fogueira feita com lenha de carvalho a arder,olhou dentro das chamas e viu um pequeno animal que se parecia com uma lagartixa e que parecia ter a capacidade de permanecer na parte mais quente das brasas. Percebendo o que era, meu pai chamou-me e à minha irmã e, após nos mostrar a criatura, deu-me um tapa na têmpora. Pus-me a chorar, enquanto ele, afagando-me, afirmou: 'Meu filho querido não te bati em virtude de algo errado que acaso tenhas feito, mas para que te lembres de que viste no fogo uma pequena salamandra'. Após falar desse modo, abraçou-me e deu-me dinheiro."

Não seria sensato pôr em dúvida a história de Cellini, uma vez que ele mesmo foi testemunha ocular e auricular. Além disso, temos também a autoridade de diversos filósofos e eruditos, à frente dos quais Aristóteles e Plínio, que atestam esse poder da salamandra. De acordo com eles, a salamandra não apenas resistia ao fogo, mas era capaz de apagá-lo, e assim que se deparava com as chamas, preparava-se para atacá-las como a um inimigo que estava certa de superar.

Não devemos nos espantar com o fato de que a pele de um animal seja capaz de resistir à ação do fogo. Concluímos que o tecido de que é feita a pele da salamndra ( pois esse animal existe realmente, sendo um tipo de lagarto) não era combustível, e por isso muito útil para embrulhar certos artigos valiosos demais para serem envolvidos em algum material de qualidade inferior. Embora se acreditasse que esses tecidos à prova de fogo eram feitos da pele da salamandra, alguns especialistas descobriram que ele continha fios de amianto, um minério composto de fibras tão finas que podem ser usadas para tecelagem.

O fundamento dessas fábulas parece derivar da capacidade que a salamandra tem de expelir pelos poros uma determinada substância leitosa que produz em grande quantidade quando se irrita, protegendo-a de perigos externos, como a ação do fogo, por exemplo. Sendo um animal hibernante, refugia-se em cavidades de árvores, em estado de torpor, até a chegada da primavera. É possível, portanto, que seja levada junto com a lenha ao fogo, onde desperta a tempo de exercitar as suas faculdades defensivas. O líquido viscoso que expele mostra-se versátil, e todos que dizem tê-la visto nessas circunstâncias admitem que elas correm das chamas o mais depressa possível; Em um caso narrado de uma fuga lenta, a testemunha diz que os pés e outras partes do corpo da salamandra ficaram muito queimados. Dr. Young, em "Pensamentos Noturnos", com mais delicadeza que bom gosto, compara a indiferença de um cético que comtempla um céu estrelado à insensibilidade que uma slamandra demonstra para com o fogo:
"Um astrônomo não devoto é um louco,
(...)
Oh, que gênio é esse que nos dá os céus!
E o coração de salamandra de Lourenço
Ficaria frio em meio a esss chamas sagradas?"

O Livro da Mitologia - História de Deuses e Heróis
Thomas Bulfinch
Edição de 2006

Fontes:

domingo, 16 de janeiro de 2011

Florbela Espanca

Gostaria de apresentar à vocês um pouco da vida e obra de uma poetisa que admiro demais pela sua escrita e coragem de ser “primeira” em uma época de “primeiros”.
Apreciem sem moderação...

Anamathy


Florbela Espanca (1894-1930), batizada com o nome Flor Bela de Alma da Conceição, foi uma poetisa portuguesa. A sua vida de 36 anos foi tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade carregada de erotização e feminilidade.

:.Vida de Flor
Filha de Antônia da Conceição Lobo e do republicano João Maria Espanca, nasceu no dia 08 de Dezembro de 1894 em Vila Viçosa, no Alentejo.

Seu pai era casado com Mariana do Carmo Toscano. A sua esposa não pôde dar-lhe filhos. Porém, João Maria resolveu tê-los – Florbela e Apeles, três anos mais novo – com outra mulher, Antônia da Conceição. Ambos os irmãos foram registrados como filhos ilegítimos de pai incógnito. Entretanto, João Maria Espanca criou-os na sua casa, e Mariana passou a ser madrinha de batismo dos dois. João Maria nunca lhes recusou apoio, nem carinho paternal, mas reconheceu Florbela como sua filha em cartório só dezoito anos depois da morte dela.

Em 1899, Florbela entra para o curso primário passando a assinar “Flor d'Alma da Conceição Espanca”. O pai de Florbela foi em 19 um dos introdutores do cinematógrafo em Portugal. A mesma paixão pela fotografia o levará a abrir um estúdio em Évora, despertando na filha a mesma paixão e tomando-a como modelo favorita, razão pela qual a iconografia de Flor, principalmente feita pelo pai, é bastante extensa.

Em 1903, aos 7 anos, faz seu primeiro poema, “A Vida e a Morte”. Desde o início é muito clara sua precocidade e preferência a temas mais escusos e melancólicos.

Depois, Flor ingressou no Liceu Masculino André Gouveia em Évora, onde permaneceu até 1912. Foi uma das primeiras mulheres em Portugal a frequentar o curso secundário. Devido a Revolução Republicana de 5 de Outubro de 1910, os Espanca mudaram-se para Lisboa. Florbela interrompeu os estudos.

Em 1913 casou-se em Évora com Alberto de Jesus Silva Moutinho, seu colega da escola. O casal morou primeiro em Redondo. Em 1915 instalou-se na casa dos Espanca em Évora, por causa das dificuldades financeiras. Então, eles passam a morar na casa de João Maria. Sob o olhar complacente de Flor, Alberto de Jesus, seu marido, convive abertamente com uma empregada, divorciando-se da esposa em 1921 para casar-se com Henriqueta, a então empregada.

Em 1916, de volta a Redondo, a poetisa reuniu uma seleção da sua produção poética desde 1915, inaugurando assim o projeto “Trocando Olhares”. A coletânea de 85 poemas e 3 contos serviu-lhe mais tarde como ponto de partida para futuras publicações. Na época, as primeiras tentativas de promover sua poesia falharam.

Regressando a Évora, em 1917, a poetisa completa 11º ano do Curso Complementar de Letras, e logo após ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Foi uma das 14 mulheres entre 347 alunos inscritos. Após um aborto involuntário que lhe teria afetado os ovários e os pulmões, se muda para Quelfes, onde apresenta os primeiros sinais sérios de uma neurose.

Em 1919 saiu finalmente a sua primeira obra, “Livro de Mágoas”, antologia de poemas. A tiragem (200 exemplares) esgotou-se rapidamente. No mesmo ano, sendo ainda casada, a escritora passou a viver com Antônio José Marques Guimarães, alferes da Artilharia da Guarda Republicana. Logo depois, Flor passa a trabalhar em um novo projeto que foi publicado em 1923 sob o nome de “Livro de Soror Saudade”.

Em meados de 1920 abandonou os estudos na faculdade de Direito. No ano seguinte, divorciou-se de Moutinho para casar com o amante. O casal passou a residir no Porto, mas, no ano seguinte, transferiu-se para Lisboa, onde Guimarães se tornou chefe de gabinete do Ministro do Exército.

Após mais um aborto separa-se pela segunda vez,o que faz com que sua família deixe de falar com ela. Essa situação a abalou muito. O ex-marido abriu mais tarde em lisboa uma agência,”Recortes”, que enviava para os respectivos autores qualquer nota ou artigo sobre ele. O espólio pessoal de Antônio Guimarães reúne o mais abundante material que foi publicado sobre Flor, desde 1945 até 1981, ano de falecimento do ex-marido Ao todo são 133 recortes.

Em 1925, a poetisa casou com o médico Mário Pereira Lage, que conhecia desde 1921 e com quem vivia desde 1924. O casamento decorreu em Matosinhos, no Distrito do Porto, onde o casal passou a morar a partir de 1926.

Passa a colaborar no Jornal D. Nuno em Vila Viçosa, no ano de 1927, com os poemas que comporão o “Charneca em Flor”. Em carta ao diretor do D. Nuno fala da conclusão de Charneca em Flor, e fala também da preparação de um livro de contos,provavelmente o “Dominó Preto”.

No mesmo ano Apeles, irmão de Florbela, falece em trágico acidente, fato esse que abalou demais a poetisa. Ela aferra-se a produção das “Máscaras do Destino”, dedicando ao irmão. Mas então Florbela nunca mais será a mesma, sua doença se agrava bastante após o ocorrido.

Começa a escrever “Diário de Último Ano” em 1930. Passa a colaborar nas revistas “Portugal Feminino” e “Civilização”, trava também conhecimento com Guido Batelli, que se oferece para publicar “Charneca em Flor”. Florbela então revê em Matosinhos as provas do livro, depois de tentar suicídio, período em que a neurose se agrava e é diagnosticado um edema pulmonar.

Em 02 de Dezembro de 1930, Flor encerra seu Diário de Último Ano com a seguinte frase: “...e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 08 de Dezembro – no dia do seu aniversário – Florbela d'Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal*. Algumas décadas depois seus restos mortais são transportados para Vila Viçosa, “...a terra alentejana a que entranhadamente quero.”

*Nome comercial do primeiro sedativo sonífero introduzido no mercado no início do século XX.

:.Obra “Florbeliana”
Autora de poemas, artigos na imprensa, traduções, epístolas e um diário, Florbela Espanca antes de tudo foi poetisa. É à sua poesia, quase sempre em forma de soneto, que ela deve a fama e o reconhecimento. A temática abordada é principalmente amorosa. O que preocupa mais a autora é o amor e os ingredientes que romanticamente lhe são inerentes: solidão, tristeza, saudade, sedução, desejo e morte. A sua obra abrange também poemas de sentido patriótico, inclusive alguns em que é visível o seu patriotismo local: o soneto “No meu Alentejo” é uma glorificação da terra natal da autora.

Somente duas antologias, “Livo de Mágoas” e “Livro de Sóror Saudade”, foram publicadas em vida da poetisa. Outras, “Charneca em Flor”, “Juvenília” e “Reliquiae” saíram só após o seu falecimento. Toda a obra poética de Florbela foi reunida por Guido Batelli num volume chamado “Sonetos Completos”, publicado pela primeira vez em 1934. Em 1978 tinham saído 23 edições do livro. As peças anteriores às primeiras publicações da poetisa foram reconstituídas por Maria Lúcia Dal Farra, que em 1994 editou o texto “Trocando Olhares”.

A prosa de Florbela exprime-se através do conto (em que domina a figura do irmão da poetisa), de um diário, que antecede a sua morte, e em cartas várias. Algumas peças da sua correspondência são de natureza familiar, outras tratam de questões relacionadas com a sua produção literária, quer num sentido interrogativo quanto à sua qualidade, quer quanto a aspectos mais práticos, como a sua publicação. Nas diferentes manifestações epistolares sobressaem qualidades que nem sempre estão presentes na restante produção em prosa - naturalidade e simplicidade.

Fontes

"Eu"
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino, amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!


Download de "Sonetos Completos" AQUI.

domingo, 9 de janeiro de 2011

2012: Fim do Mundo Segundo os Maias

Chichén Itzá

Um dos mais antigos povos da América Central, os Maias destacam-se até hoje por sua organizada estrutura de ciência, história, arte e religião. Das várias profecias feitas por esse povo, há mais de 5 mil anos, a que mais chama a atenção de cientistas e filósofos de todo o mundo é a exatidão e o mistério contidos no calendário maia, que cita o ano 2012 como um ano-chave para mudanças em nosso planeta e o fim de um ciclo. No entanto, as sete profecias que marcam a civilização maia trazem, acima de tudo, esperança e conscientização.
Os maias acreditavam que a nossa Galáxia segue um ciclo imutável, o que pode e deve ser mudado é a consciência da humanidade rumo à evolução. Eles apontam que sua civilização era a quinta iluminada pelo Sol, ou seja, estavam no quinto grande ciclo solar e, por conseqüência, outras quatro já haviam passado pela Terra e foram destruídas por desastres naturais.
Os maias previram que o Sol mudará a sua polarização em 22 de dezembro de 2012, após receber um raio sincronizado com origem no centro da Galáxia, um raio que dará origem a explosões solares iniciando a transformação do planeta. Desse modo, uma nova era terá início: o sexto ciclo solar. Os maias relatavam que esse fenômeno acontece a cada 5.125 anos (de acordo com estudiosos e pesquisadores, o início deste ciclo solar se deu no ano 3113 a.C.) e que a Terra será afetada pelo Sol devido a uma mudança no seu eixo de rotação.
As Sete Profecias Maias dizem que a civilização baseada no medo será transformada através das vibrações de harmonia. Mas essa transformação só ocorrerá para quem assim o desejar, será algo pessoal. Os maias não falam em fim do mundo, mas em um processo de transformação em que o espírito ganhará em sua jornada de evolução a esferas mais altas.
1ª Profecia: é o princípio do “Tempo Não-Tempo”, um período de 20 anos chamado Katún, que teve início em 1992. Nessa data, o homem começou a fazer mudanças em suas atitudes e consciência, abrindo sua mente a tudo que existe. Katún é um período que a humanidade entra em grande aprendizado e transformação.
O livro sagrado Maia Chilam Balam, diz que no 13º Ahau no final do último Katún (2012), o Itza será arrastado, cidades serão destruídas. Haverá um tempo em que estarão sumidos na escuridão e depois virão trazendo sinal futuro os Homens do Sol, a terra despertará pelo norte e pelo poente, o Itza despertará. (Ver “Chichén Itzá" AQUI)

Após sete anos (a partir de 1999) começa esse período de escuridão, em que cada indivíduo se auto-analisará. O homem estará em um grande salão de espelhos; o materialismo será deixado para trás e inicia-se um processo de libertação do sofrimento.
2ª Profecia: Afirma que a resposta a tudo está dentro de cada indivíduo e que seu comportamento determinará seu futuro. Confirma que, a partir do eclipse solar de 11 de agosto de 1999, o comportamento da humanidade terá grande transformação. Esse eclipse sem precedentes na historia pelo alinhamento em crus cósmica com o centro da terra de quase todos os planetas do sistema solar. Eles se posicionaram nos 4 signos do zodíaco que são os signos do 4 evangelistas, os 4 guardas do trono que protagonizam o apocalipse segundo São João.
Os maias afirmam que os homens facilmente perderão o controle de suas emoções ou conhecerão sua paz interior. Também indicam que a energia que é recebida do centro da Galáxia causa um aumento na vibração do planeta e das ondas cerebrais, alterando pensamentos, comportamento e sentimentos. Esta profecia sugere dois caminhos: um de compreensão e tolerância e outro de medo e destruição. O caminho a seguir será escolhido por cada um.
3ª Profecia: Aponta uma grande mudança na temperatura, produzindo transformações climáticas, geológicas e sociais em uma magnitude nunca antes vista e em incrível rapidez. Uma delas será decorrente do próprio homem, devido à sua falta de consciência em cuidar e proteger os recursos naturais do planeta, e as outras geradas pelo próprio Sol, o qual intensificará sua atividade pelo aumento das vibrações. 

4ª Profecia: Relata que a conduta antiecológica do ser humano e o aumento da atividade solar causarão o derretimento dos pólos. A Terra estará apta a se recompor, porém com mudanças na composição física dos continentes. Os maias ainda apontam que, de acordo com seus estudos, a cada 117 giros do planeta Vênus, o Sol sofre novas alterações com grandes explosões e ventos solares, o que coincide com o final deste ciclo.
5ª Profecia: Todos os sistemas que se baseiam no medo sofrerão uma drástica mudança junto com o planeta e o homem passará por uma transformação para dar caminho a uma nova e harmônica realidade. Os sistemas falharão e o homem terá de olhar para si a fim de encontrar uma resposta para reorganizar a sociedade e continuar o caminho à evolução, que o levará a entender a criação.


 6ª Profecia: Mostra que nos anos finais aparecerá um cometa cuja trajetória pode pôr em perigo a existência do homem. Essa cultura de considerar o cometa como um agente de mudança vem pôr movimento ao existente equilíbrio, permitindo a evolução da consciência. Para os maias, Deus é a presença da vida, apresenta variadas formas e está em tudo.

7ª Profecia: Esta profecia aponta que, entre os anos 1999 e 2012, uma luz emitida do centro da Galáxia sincronizará todos os seres vivos e permitirá que voluntariamente iniciem uma transformação interna que produzirá novas realidades. Os maias mencionam que cada um terá a oportunidade de mudar e quebrar suas limitações, criando uma nova era, em que a comunicação será pelo pensamento. Os limites desaparecerão, uma nova era de luz e transparência terá início e as mentiras desaparecerão. 

Fontes:

Colocarei aqui dois links para baixarem Chilam Balam + as 7 Profecias. Infelizmente, eu só achei em espanhol...
Quem souber onde tem um link para esse livro em português, deixe um comentário por favor.
Espero que tenham apreciado o post.
Anamathy